#Sem Título 24

Estava distraída, com o fone no ouvido e pensamentos longe. Escondida atrás dos óculos de sol caminhava pelo prédio, rumo ao elevador. Sussurrava sem perceber a letra de certa musica, enquanto chamava o elevador, sentiu então aquele perfume de novo, sim ela não poderia estar enganada. Era como se o tempo não tivesse passado, de alguma maneira aquele perfume, despertava de novo, o que ela pensava já ter morrido à tempos. Não queria olhar para trás… E se quer saber nem precisou. Aquela sensação era inconfundível, aquela presença inesquecível.

Ela já estava em outra vida, e ele na mesma de sempre. Era como nos velhos tempos, ela sabia de tudo, como sempre. Mas sentia que o tempo mais uma vez teria apagado todo o ódio, e deixado apenas a saudade e a vontade, vontade de viver o que nunca aconteceu, o que nunca foi real.

Então, interrompendo aquele silêncio, a porta do elevador se abre. Ela queria que ele entrasse, mas tinha medo. Medo do que ela poderia dizer, medo do que ela poderia fazer. Depois de tanto tempo, de tantos dias sem dormir, de tantas cartas e lembranças jogadas fora. Será que valia a pena deixar com que em um instante, tudo voltasse a ser como nos velhos tempos? um passo a frente, então ele entrou logo em seguida. O silencio, era inevitável. Mas eu sei, naquele momento, as palavras refletiam os olhares, e gritavam em seus corações. Quando de repente, a musica, começou a tocar. Sim, era a musica deles, e o som vinha da bolsa dela. Talvez ela tenha feito de propósito, mas isso nunca saberemos. Aquele era o sinal, ele deveria fazer alguma coisa.

“Olha, você não precisa dizer nada. Apenas me deixe olhar para o seu sorriso, você sabe que ele é o meu raio de sol. E a muito tempo, eu só tenho conseguido observar as estrelas de longe…”

E então, só se conseguiu escutar uma tentativa de resposta.

Ela queria ser grossa, mas o máximo que conseguiu, foi pegar nas mãos dele.

Era o primeiro toque, depois de muitas despedidas. Ele ainda estava usando a aliança, ele queria gritar, e dizer o quando ele era estúpido. Mas o máximo que conseguiu, foi dizer.

“Você é a pessoa que eu mais amo nesse mundo, mas é também a pessoa, que eu devo estar mais distante.”

E então, por um momento se rendeu a sensação. Tocou seus lábios, e olhou dentro dos seus olhos. Jamais teve essa coragem. Mas aquele era o momento.

– Pronto agora você pode voltar para a sua noite “estrelada”. E se acostume, pois o brilho do seu sol jamais iluminará essa sua solidão sem sentimentos, mais uma vez.

A porta do elevador então se abre, e ela vai embora. Se foi por acaso, não vem ao caso. Estava apenas seguindo o seu destino, e levando consigo o brilho, que talvez ela nunca saiba o que seja de verdade.

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