Por muito tempo, não lembro ao certo quanto, desde que você se foi, destruindo o castelo em que vivíamos e me deixando aqui sozinha, eu temia a noite. Sempre que sentia sua presença aproximando-se, era um tormento, uma angustia sem fim tomava conta de mim, me levando quase a loucura. Era uma sensação horrível, por mais que tentasse jamais conseguiria descrevê-la.

Lembranças do nosso passado, que ficou pela metade, surgiam como fantasmas tirando o meu sossego e o resto de paz que havia sobrado, as fotos que durante o dia permaneciam trancadas em caixas, à noite ficavam espalhadas pelo chão do quarto enquanto lágrimas intrusas caiam dos meus olhos e percorriam o meu rosto.

Um enorme vazio parecia ter sido aberto em meu peito, meu estômago parecia revirar-se. Medo, dor, angústia, solidão, são as definições mais próximas do que por muito tempo fizeram parte de mim.

Mas de repente, não sei como (na verdade sei, mas prefiro deixar subtendido), te esqueci, ou melhor, aprendi a viver sem você, sem o seu cheiro ao meu lado na cama, sem os seus beijos de manhãzinha no café, sem o seu abraço quando acordava a noite depois de um pesadelo.

Agora é tudo diferente, ao invés de temer a chegada da noite com medo do fantasma do nosso passado, corro para o quintal para poder contemplar o brilho das estrelas iluminando o céu, o MEU céu!

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